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Dom Heriberto Hermes trabalhava na defesa dos direitos humanos

Morreu nesta quarta-feira, 3 de janeiro, o bispo emérito da Prelazia de Cristalândia, Dom Heriberto John Hermes, da Ordem de São Bento, aos 84 anos. Ele faleceu às 8h45 no Hospital Geral de Palmas, o HGP, onde ficou internado por 15 dias por motivo de infarto.   Heriberto nasceu em Shallow Water, Kansas, nos Estados Unidos, aos 25 de maio de 1933, filho de John e Mary Hilger Hermes.   Foi nomeado pelo Papa São João Paulo II como bispo prelado de Cristalândia em 20 de junho de 1990. Teve a sua renúncia, por motivo de idade, aceita pelo Papa Bento XVI em 25 de fevereiro de 2009. Foram 19 anos como bispo prelado e outros 10 como bispo emérito com dedicação total à missão.   Doou a sua vida com simplicidade, gratuidade e dedicação aos mais pobres. Nos últimos dez anos, vivendo em Paraíso do Tocantins, dentro do território da Prelazia de Cristalândia, dedicou-se ao Centro de Direitos Humanos. Esteve sempre presente nas reuniões do Clero de Cristalândia. Dom Wellington de Queiroz Vieira, atual bispo da Prelazia de Cristalândia, fala sobre o momento de sofrimento, mas também de fé e esperança.   “Para nós é um momento de tristeza, pelo sentimento de perda, mas a nossa fé nos permite sempre nos alegrar também na certeza da vida eterna, na certeza da ressurreição. Dom Heriberto bem viveu a sua vida, no seu sim a Deus, na sua dedicação à Igreja, no seu amor aos pobres. Até os últimos instantes da sua vida, ele fazia planos para o futuro, ele reconhecia ainda as tantas necessidades do nosso povo. Nós contamos com as orações dos nossos irmãos e irmãs por ele para que acolhido nos céus possa, de lá, interceder por nós. Nós guardamos no coração seu exemplo de vida, a sua fidelidade à Palavra de Deus, que certamente nos inspira também na nossa caminhada, na nossa missão ainda a cumprir”.   Se dirigindo ao bispo Dom Queiroz e aos fieis da Prelazia de Cristalândia, o arcebispo metropolitano de Palmas, Dom Pedro Brito, fala sobre o momento doloroso para a comunidade eclesial e para a vida das ovelhas.   “Meu querido Dom Wellington, meus queridos irmãos e irmãs da Prelazia de Cristalândia, o falecimento de um pastor, de um bispo, seja ele na ativa ou na ‘emeritude’, é sempre um momento doloroso para a comunidade eclesial. A morte de um pastor é sempre um momento trágico para a vida das ovelhas. Desde que Dom Heriberto foi hospitalizado, estive diversas vezes visitando-o. Levei a Comunhão a ele, dei a Unção dos Enfermos também a ele; e ontem à tarde, antes de vir à Goiânia – estou pregando num retiro aqui para as irmãs; não poderei estar presente nesse momento de sofrimento, mas também de esperança da vida dessa Igreja –, queria me desculpar por não estar presente, mas ontem à tarde, juntamente com Dom Philip, estivemos no Hospital, na UTI, na cama onde ele estava e vi a situação dele e rezamos juntos a oração que sempre rezo diante das pessoas enfermas: Se for da vontade de Deus, que ele, Dom Heriberto, pudesse se recuperar e voltar ao convívio fraterno e humano; mas se for da vontade de Deus também, que Deus possa abreviar o seu sofrimento e recebê-lo na eternidade como filho que viveu integralmente o seu batismo, realizou a sua missão, especialmente voltada para os mais pobres, o Direitos Humanos, mas para todos também. Peço a vocês que aproveitem esse tempo para fazer uma reflexãozinha sobre a importância da vida e da morte das pessoas também. Descanso eterno, dá-lhe, Senhor. A luz perpétua o ilumine. Descanse em paz! Amém”.   O sepultamento acontecerá nesta quinta-feira, 4 de janeiro, na Catedral de Cristalândia, às 17 horas.   Por Camila Soares  
                                                                                                Missão de Natal: Recolocar Jesus na Manjedoura

Missão de Natal: Recolocar Jesus na Manjedoura

Dom Pedro Brito Guimarães Arcebispo de Palmas - TO O anjo do Senhor, encarregado de dar aos pastores a alegre notícia do nascimento de Jesus, em Belém, assim se expressou: “eu vos anuncio uma grande alegria: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc 2,10-11). Quando os pastores chegaram à Gruta de Belém, viram este sinal: um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura (Lc 2,7). Jesus veio ao mundo sem um lugar para nascer e viver. Nasceu numa gruta improvisada. Foi acolhido, de improviso, numa manjedoura. E de lá encantou, provocou, redimiu e salvou o mundo. Deus, em Belém, quebrou o silêncio do universo e preencheu o vazio da existência humana. Assim como a Estrela de Belém é maior do que todas as outras estrelas, a manjedoura de Belém é também maior do que todas as manjedouras do mundo. Ela é o hi fi das redes sociais de Deus. A manjedoura que acolheu Jesus, seu primeiro berço, hoje está vazia, como vazia está a vida humana. Há um esvaziamento muito grande na vida, na mente e no coração de muitas pessoas. Consequentemente, há um progressivo esvaziamento do espírito do Natal. Em tempo passado, era politicamente correto cantar: “Tudo está no seu lugar, graças a Deus” (Benito de Paula). Hoje não é nem político e nem correto. Tudo ou quase tudo no Brasil está fora de lugar. A sociedade brasileira está doente, dando sinais inequívocos de morrte: a política e a economia não estão nos seus lugares. Os traficantes, de todas as matizes, estão fora de lugar. A violência e a corrupção estão fora de lugar. Os crimes organizados estão fora de lugar. A discriminação e o preconceito estão fora de lugar. Os revolucionários, os reacionários e os conservadores estão fora de lugar. A agende da ideologia de gênero está fora de lugar, ao desconstruir os conceitos de pessoa e de família. Papai Noel não está no seu lugar. O Natal não está no seu lugar. Jesus não está no seu lugar. Tudo, enfim, está fora de lugar. Nossa missão, neste Natal, é recolocar Jesus no seu devido lugar, na manjedoura da vida. Para que, então? Primeiro, para sermos guiados por Ele e para sentirmos a força deste Menino, apesar da sua aparente fragilidade. No mundo dos contrastes, os animais, inimigos mortais e presas fáceis uns dos outros, estão unidos: o lobo mora com o cordeiro, o leopardo se deita com o cabrito, o bezerro pasta com o leãozinho, a ursa come com a vaca, o leão se alimenta com o boi (Is 11,6-7). Uma criança, no entanto, os toca, brinca com eles e enfia a mão no esconderijo da serpente (Is 11,6.8). Segundo, para sentir-nos ovelhas do seu rebanho e do seu pastoreio. Terceiro, para cuidarmos dele como se cuida de uma criança. Deus, de fato, se fez criança para cuidarmos dele. Quarto, para, enfim, sabermos que a encarnação de Jesus é a novidade do cristianismo. O cristianismo é a religião de um Deus que se humaniza para divinizar a humanidade. O Deus cristão não é um mito, não é um livro e também não é uma filosofia. O cristianismo é a religião não de um livro, mas da Palavra (papa Bento XVI, Verbum Domini 7), de uma Pessoa, Jesus Cristo, o Filho coeterno do Pai, feito Homem. E nós, ao invés de concebermos e criarmos filhos, reproduzimos clones de nós mesmos. O Natal perdeu o seu espírito porque perdemos o espírito cristão. Como disse Santo Agostinho: “Belém é para nós uma lição eloquente. Com o seu nascimento na silente noite de Belém, mesmo sem dizer nada, deu-nos uma lição, como se irrompe num forte grito: que aprendamos a tornar-nos ricos nele que se fez pobre por nós; que busquemos nele a liberdade, tendo Ele mesmo assumido por nós a condição de servo; que entremos na posse do céu, tendo Ele por nós surgido da terra”. Se assim fizermos, estamos cumprindo nossa missão: colocando Jesus novamente na sua manjedoura. Portanto, meu desejo final é que todos afinal tenham um santo e abençoado Natal.