Bispos do Regional Norte 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participaram de Sessão Especial na Assembleia Legislativa do Tocantins, nessa quarta-feira, 21 de março, em Palmas, para discutirem a temática da Campanha da Fraternidade 2018, que é “Fraternidade e Superação da Violência”.

Estiveram presentes na sessão o arcebispo metropolitano de Palmas, dom Pedro Brito, e os bispos de Porto Nacional, dom Romualdo Kujawski; de Tocantinópolis, dom Giovane Pereira, e da Prelazia de Cristalândia, dom Wellington de Queiroz. Durante a audiência, eles destacaram alguns fatores que contribuem para o crescimento da violência no Brasil, como injustiça, abuso de poder, pobreza, mau uso das redes sociais, marginalização dos jovens, impunidade, ganância e corrupção.

O arcebispo dom Pedro ressaltou que o foco da Campanha não está na violência, mas sim na superação da violência. E ele fala sobre o papel da Igreja em ambientes não eclesiais, como mensageira do evangelho de Cristo.

“É uma função nossa também, além de trabalhos internos dentro da Igreja com os fieis, com as pessoas que participam das nossas atividades pastorais, essa presença pública da Igreja em ambientes que não são eclesiais. Muitos falam da violência, muitos dão dados, e a gente vê todos os dias. O nosso recado, o nosso realce não é na violência; é na superação da violência. Como vamos superar a violência? O caminho da fraternidade, do perdão, da reconciliação, do diálogo, da cultura do encontro, do respeito, da não violência, é esse caminho que nós pregamos. Existe um caminho judiciário, existe um caminho social e existe o caminho do evangelho, a via do evangelho. Nós viemos trazer essa mensagem aqui. Para superar a violência, nós temos que caminhar pelo evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Aquele que tem vida plena para todos”.

Dom Wellington, bispo da Prelazia de Cristalândia, fala da importância de se divulgar os projetos e valores cristãos diante de tantas outras vozes que se propagam nos meios de comunicação.

“A gente vive num contexto social onde existem muitas vozes, o acesso aos meios de comunicação. E, muitas vezes, aquilo que se é falado não são as coisas de acordo com nossos valores, com nossos princípios; não só princípios e valores cristãos, mas da moralidade de uma sociedade que considera a importância da justiça. Então, numa sociedade onde todo mundo fala, a Igreja, quando tem um projeto, ou um tema que trata da questão da violência, ela tem que falar também; ela tem que fazer com que esse tema seja conhecido, com que as suas propostas sejam conhecidas. É uma forma de publicizar o questionamento, de tornar público a preocupação com a questão da violência, de fazer com que toda a sociedade reconheça que o problema da violência é um problema real e que cabe a todos buscar uma solução. A proposta da superação da violência por parte da Igreja Católica não é a proposta de que cada um coloque uma arma na cintura e se defenda. Isso não é a nossa proposta. A nossa proposta é a fraternidade e o respeito, e deve ser conhecida”.

O bispo de Miracema do Tocantins, dom Philip Dikmans, não participou da sessão por motivo de agenda internacional.

Por Camila Soares
Fotos: Camila Soares