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                                <strong>Voz do arcebispo - A mulher e a superação da violência</strong>

Voz do arcebispo - A mulher e a superação da violência

Dom Pedro Brito Guimarães, Arcebispo de Palmas – TO Certamente, por conta da passagem do Dia Internacional da Mulher, muito se falou, se discutiu e se comemorou, com as mulheres, sobre a sua importância no cenário e no berço da vida. Merecidamente, pois, a mulher está na origem da vida humana. Ela é a mãe, a existência e a essência da vida. Se a vida biologicamente tem uma origem, além de Deus, esta origem é a mulher. A palavra “mãe” está na raiz das palavras matriarca, matriz, maternidade, maternal e de muitas outras palavras decorrentes desta etimologia. O Papa Francisco, na sua solicitude pastoral por nós todos, chega a dizer que “a mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela o mundo não seria bonito, não seria harmônico”. Sem a mulher, portanto, não há harmonia, poesia e beleza no mundo. A mulher é a nascente e a fonte da vida. O mesmo se diga com relação à Igreja. Diz ele: “gosto de pensar também que a Igreja não é ‘o’ Igreja, mas ‘a’ Igreja. A Igreja é mulher, é mãe, e isto é bonito. Deveis pensar e aprofundar isto”. Naturalmente, a vida, aqui na terra, não está fácil para ninguém, principalmente para a mulher. Parece até que está se concretizando a profecia: “se saio para o campo, aí estão os atingidos pela espada, se entro na cidade, aí os abatidos pela fome” (Jer 14,18). E também o contrário: no campo, as vítimas da fome e na cidade, as vítimas da espada. A violência nos faz perder o sentido da vida. A vida passa a não ter nenhum valor biológico e teológico. Somos todos irmãos, mas nos matamos. Somos todos vítimas e vitimados igualmente. A violência que cometemos contra os outros é a mesma que cometemos contra nós. O violento é também vítima da sua própria violência. A violência é o monstro da nossa própria criação. O violento tanto mata quanto se mata. Embora muitas mulheres foram geradas e vivem em ambientes inóspitos e insípidos, nos quais são vítimas - marginalização e vulnerabilidade sociais, desemprego, violência, narcotráfico, alcoolismo, prostituição e abuso sexual - mesmo assim afirmamos ser a mulher a principal parceira para a superação da violência. Aquela que dá vida é a mesma que a deve defender. Se a Igreja quiser encontrar uma parceria para a superação da violência, a mulher é esta parceira. Embora as guerras provenham, provavelmente, mais de ambientes masculinos, a mulher tem o papel insubstituível de apaziguar os ânimos exaltados, refazer as relações estragadas e regenerar os afetos estremecidos. Ao mesmo tempo em que se pede a parceria da mulher para a superação da violência, temos o dever de garantir-lhe o direito à vida. Que não seja negado o direito à vida e nem à dignidade a quem dá e defende a vida. É bem verdade que a mulher precisa ser amada para amar; amar para ser amada e amar e ser amada para defender a vida. Querer dialogar com quem não tem ciência, consciência e experiência positiva com a geração da vida é como querer nadar em terra seca. A mulher está para a vida como a lua está para o sol e como o sol está para a terra. Como a lua e a terra não têm vidas sem o sol, a vida não tem vida sem a mulher. A mulher é defensora da vida, desde a sua concepção até a morte natural. Ela é literalmente o sal, a luz e o fermento da vida. Portanto, se quisermos superar a violência contra a vida, em todas as suas dimensões, a mulher é a principal parceira. Ninguém mais, ninguém menos do que a mulher para compreender as dores da vida na gravidez, no parto, na violência, no sofrimento e na morte. Ela saberá defender a vida porque deu o ventre, a luz, o peito, o leite e o colo à vida. A vida é o dom mais precioso que Deus nos dá. Ele é o autor da vida. Só Ele pode dar e tirar a vida. A mulher é a sua companheira na defesa da vida. Ela, em Adão, carne de sua carne e ossos de seus ossos, foi criada para dar e defender a vida. Superemos, portanto, a violência contra a mulher e pela mulher. Não divulguemos nada que diminua a dignidade da mulher. Não participemos de grupos que ofenda a vida. Superemos a violência contra a vida pela dignidade da mulher. E abracemos todos a causa da superação da violência da mulher e pela mulher. 
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