A Casa de Marta encerrou as atividades do ano de 2017 nessa quinta-feira, 15, com uma confraternização entre mães e filhos acolhidos, voluntários, diáconos, padres e o arcebispo metropolitano de Palmas, Dom Pedro Brito. A Casa é um programa da Arquidiocese de Palmas, desenvolvido no “Centro Amor Social Papa Francisco”, para atender adolescentes grávidas que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

Neste ano, a Casa de Marta acolheu e acompanhou 20 adolescentes com o intuito de resgatar nas meninas a sua cidadania, a auto estima e o amor pela vida gerada. O projeto funciona desde 2002 e, segundo o coordenador da Casa, diácono Amilson Rodrigues, até hoje nenhuma vida foi perdida.

“Até hoje nós não perdemos nenhuma adolescente ou criança que passaram pela Casa de Marta. Ela veio para a Casa, não desistiu da gravidez, não desistiu de participar. Por quê? Porque quando ela chega aqui, ela é acolhida. Muitas delas depois, com o bebê no colo, dizem assim: ‘Se não fosse a Casa de Marta, eu teria perdido o meu filho’. Porque elas queriam abortar; às vezes queriam se matar. É uma situação muito complexa na vida de uma criança ou de uma adolescente. Já atendemos meninas aqui com 11 anos de idade. 11 anos”.

O diácono fala também sobre o atendimento e o acompanhamento oferecidos pela Casa. “Não é um internato, mas um espaço de acolhimento. Aqui ela tem um atendimento psicológico, tem assistente social, processo pedagógico também de diminuição dos traumas, redução de danos. Aqui ela faz o enxoval do bebê. Muitas vezes, quando a menina engravida, ela é expulsa da família, mãe rejeita, o pai rejeita, ou mesmo aquele que cometeu o ato de engravidar a menina, às vezes, ele também rejeita. Se a gente percebe que não há risco dessa adolescente ser novamente inserida nesse convívio, a gente trabalha o fortalecimento do laço familiar”.

Beatriz Golveia, mãe do Carlos André, de 1 ano, passou pela casa e fala do sentimento de gratidão. “Eu me sinto feliz, agradecida, porque não é todo mundo que acolhe, que ajuda, que dá um enxoval, ensina também como cuidar do bebê. Me sinto agradecida e muito feliz. Eu me sinto muito amparada”.

Além de oferecer atendimento psicológico, de enfermaria e pediatria, o programa oferece oficinas de trabalhos manuais como bordado e costura; oficina de culinária e cuidados com a casa; oficinas temáticas como maternidade responsável, cuidados com a saúde do bebê e da gestante. Para isso, a Casa de Marta conta com serviços voluntários.

A irmã Ilma Canal, da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, é voluntária há 3 anos. Ela celebra que “é uma alegria muito grande poder estar à serviço e ajudar as pessoas a olharem o mundo diferente. Então, isso me traz uma felicidade muito grande. Celebrar o Natal é isso: fazer com que o outro tenha uma vida diferente e possa crescer como pessoa”.

As atividades e atendimentos da Casa de Marta retornam em 5 de fevereiro de 2018.

Assista ao vídeo “É Nossa História – Adolescentes Grávida”, que mostra a história de adolescentes em Palmas, em situação de vulnerabilidade social, surpreendidas pela gravidez não desejada, mas que foram acolhidas pela Casa de Marta.

Por Camila Soares

Fotos: Camila Soares